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Os desafios do Einstein

Um dos mais importantes hospitais da América Latina ganhou nova fachada e instalações mais amplas.E tudo isso com ele em pleno funcionamento.

Executar um projeto implica administrar uma série de problemas que normalmente surgem, muitos inclusive de forma inesperada. Isso, entretanto, não é novidade para quem atua na área da construção civil. Um pouco mais complicado seria imaginar um cotidiano agitado como esse tendo como cenário uma área ocupada, com movimentação constante de pessoas e veículos. Para quem ainda não vê grandes problemas, pense então que nesse local está instalado um hospital, onde a tranquilidade figura, inclusive, como elemento terapêutico. Agora multiplique tudo o que você pensou por dez, porque estamos falando de uma das mais importantes referências da área da saúde na América Latina, por onde passam diariamente cerca de 8 mil pessoas entre pacientes e médicos.
As obras de ampliação do Albert Einstein são, sem sombra de dúvida, um dos mais importantes desafios da engenharia civil brasileira dos últimos anos. Além de conhecimento técnico, foi preciso muita criatividade, profissionalismo e bom senso por parte dos profissionais envolvidos na iniciativa. A construção do novo Centro de Diagnósticos, concluída em agosto, já é considerada um marco principalmente junto à equipe envolvida com o fornecimento das esquadrias.
A ampliação do complexo hospitalar foi prevista no Plano Diretor de 2006, elaborado pela Sociedade Beneficente Israelita Brasileira, e teve início no ano seguinte. O projeto inclui a construção de três novos prédios e um auditório junto à Unidade Morumbi. A conclusão das obras está prevista para 2012, quando a área construída passará de 86 mil para 229 mil m2. A iniciativa permitirá duplicar a capacidade de atendimento, o que exigiu um investimento inicial de R$ 320 milhões. Com isso, o Albert Einstein terá alinhado as estruturas do hospital às exigências das modernas tecnologias, à nova realidade da prática médica e aos mais rigorosos requisitos de qualidade no atendimento. Mas chegar até aqui não tem sido fácil.
A primeira preocupação dos profissionais envolvidos no projeto foi interferir o menos possível na rotina do hospital.
A construção do novo Centro de Diagnósticos, por exemplo, exigiu da Racional Engenharia alternativas para isolar o barulho, o que foi feito por meio da utilização de vidros insulados, dispositivos antirruído e horários especiais para execução dos trabalhos. Durante a construção da passarela, que interliga o novo prédio ao complexo já existente, também foi colocada uma bandeja para evitar a queda de entulhos na rua, onde a movimentação de pedestres e veículos é constante. Do ponto de vista técnico, o grande desafio foi a construção de uma parede diafragma de 7.589 m², com 31,8 m de altura, uma das maiores do país. A iniciativa foi necessária para poder conter de forma satisfatória os 16 andares do edifício, onde funcionarão consultórios, centros cirúrgicos e garagens.
Com 70 mil m2 de área construída, o prédio tem quatro pavimentos completamente enterrados e cinco semienterrados, com pelo menos uma face exposta, erguido em um terreno de 9 mil m2, que apresenta desníveis de, até, 18 m. “Enfrentamos muitos desafios para interferir, o mínimo possível, na estrutura que já existia e que continuou funcionando enquanto executamos a obra de expansão. Essa foi nossa preocupação constante, por isso tivemos que descobrir constantemente novas alternativas para executar os trabalhos”, afirma o engenheiro Argeo Costa, gerente sênior do Núcleo de Gestão de Contratos da Racional Engenharia.
Outro desafio que torna o projeto único é a utilização de grandes quantidades de caixilhos, principalmente no fechamento de grandes vãos. No Albert Einstein, a opção recaiu pela linha Cittá Due, da Alcoa, que possibilita a instalação de vidros colados com silicone ou encaixilhados, na fabricação de fachadas cortina. No total, a obra consumiu cerca de 20 mil m² de caixilhos. Para a fachada, foram desenvolvidos perfis exclusivos para o novo edifício. “Como esse cliente é bastante exigente, buscamos também novas alternativas para atender aos altos padrões, uma delas foi o fechamento de grandes vãos com um sistema que mistura porcelanato e vidro, num efeito mosaico. Tudo rigorosamente testado quanto à água e resistência ao vento”, explica Argeo.

SELO VERDE
Seguindo os mais modernos padrões internacionais, o novo Centro de Diagnósticos terá a certificação LEED. Concedido a empreendimentos sustentáveis, o “selo” é obtido por edifícios que adotam práticas que levam o meio ambiente em consideração, como economizar energia, racionalizar o uso da água e utilizar materiais reciclados e não agressivos. Os edifícios são avaliados e, em função da pontuação obtida, recebem o certificado relativo a um dos quatro níveis de sustentabilidade previstos: Certificação Simples, Silver, Gold e Platinum.
O objetivo do Albert Einstein é obter a classificação Silver. Para isso, o projeto incorporou diversas soluções sustentáveis, segundo Argeo. A fachada projetada para o Centro de Diagnósticos, por exemplo, permite a criação de um bolsão de ar que otimizará o uso do ar condicionado e maximizará a economia de energia. Essas mesmas vantagens serão obtidas por meio da cobertura verde utilizada no telhado, que diminuirá a ocorrência de bolsões de ar quente. Outros diferenciais são as bacias sanitárias, alimentadas por água pluvial, e a utilização de concreto permeável nas calçadas. “Os projetistas, hoje, estão cada vez mais preocupados em adequar os projetos às questões ligadas à sustentabilidade e à preservação do meio ambiente. Não se trata apenas de mero modismo, mas de uma necessidade permanente”, enfatiza. O novo centro de diagnósticos será o segundo empreendimento na área de saúde a receber a certificação no país. O primeiro deles, também com selo Silver, foi a Unidade Luiz Dumont Villares do Laboratório Delboni Auriemo, inaugurada em março deste ano, na capital paulista.

UM PROJETO AUDACIOSO E ÚNICO!


Num passado não muito recente, um médico da família disse-me: “Projetista deve ter constantemente um desafio, para manter em forma seu raciocínio técnico”. Não que eu leve esta frase tão a sério, mas o tema que selecionamos para este número tem muito a ver com a palavra desafio. Ao longo da minha carreira, tenho tido a oportunidade de participar de grandes projetos, porém, confesso que o escolhido agora pode ser classificado como o destaque em obra comercial no período 2008 a 2009. Cabe nesta introdução uma ressalva: é proibido num projeto como o do Centro de Diagnósticos do Hospital Albert Einsten falar no singular. Logo, antecipadamente declaro que falo em nome das equipes da QMD Consultoria, Itefal e, é claro, da própria AC&D.

ANTÔNIO B. CARDOSO É CONSULTOR DA AC&D CONSULTORIA EM ALUMÍNIO E PARTICIPAÇÕES
Para uma melhor exposição da análise que fizemos para a elaboração deste projeto, vamos utilizar um trecho da fachada em questão, conforme definida pela arquitetura.
Vejam que estamos diante de um verdadeiro mosaico! Se só isso não bastasse, temos ainda as combinações com folha maxim-ar, trechos com raio, vidro duplo, painéis de porcelanato, diferentes bitolas de colunas e, de sobra, tudo em grandes dimensões. Honestamente não consigo achar que é pouco!
Diante disso, passamos a “mergulhar” na fachada, tentando achar um raciocínio básico e lógico. Para tanto, encontramos o que poderia ser um módulo da fachada.
“Achando” o módulo, pudemos observar que a única linha vertical predominante - ou seja, a coluna principal - dista 4 metros uma da outra. Como o pé-direito tem 4,2 metros, concluímos o suposto módulo. Talvez o maior módulo feito até hoje, pelo menos no Brasil: 4 m x 4,2 m!
Aparentemente mais simples seria pensar em um sistema stick, com colunas e travessas, pois teoricamente seria só uma questão de dimensionamento dos perfis. Entretanto, devido à formatação de um mosaico, temos muitos tipos de junções, como coluna principal x travessa principal x coluna secundária x travessa secundária. Pensamos em todas estas combinações e junções sendo feitas na obra e sobre um balancim. Estaria, portanto, fadado a problemas. Isso, sem contar, com o famoso “fantasma”: como garantir a vedação?
Para responder a essa pergunta, só há uma maneira: fixar estas combinações com olhais, deixando acesso para vedação com silicone entre as junções. Aí veio a ideia: tudo leva a pensar em um conceito unitizado, com marcação externa do sistema stick. Isso: uma mescla de unit com stick! Soma-se a essa ideia, também o desmembramento do módulo na horizontal, travessas intermediárias para a fixação das semicolunas (as secundárias), devido à formatação do mosaico.

O PROJETO EM SI
A) Coluna principal
Como podemos ver no detalhe ao lado, trata-se de uma coluna constituída por macho e fêmea, típica do sistema unitizado. Notem que temos a câmara de descompressão, com as duas camadas de vedação. O que difere do que estamos acostumados a ver é que o vidro está encaixilhado e não colado. Aí é que entra um componente do sistema stick, ou seja: na coluna principal o vidro está encaixado no canal externo.
B) Travessa principal
Fechando a requadração do módulo, temos a junção, também típica de um sistema unitizado e, como na coluna principal, o vidro está encaixilhado. Veja o detalhe abaixo:
Aqui pode vir a pergunta: como trabalhar com o vidro encaixilhado nestas dimensões?

C) Travessa secundária
Para responder o questionamento acima, vamos continuar nossa exposição, falando da travessa secundária.
O primeiro ponto que notamos é que a travessa secundária também foi dividida em macho e fêmea. Quando falamos do conceito e das fixações com olhais, isso teve que ser levado avante na travessa e, dessa forma, o acesso criado para fixar a coluna secundária criou a possibilidade da formação do mosaico.
 
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